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sexta-feira, 30 de outubro de 2015

EPIC ILLUSTRATED, UMA SÉRIE SEM IGUAL!

Os anos 1970 foram marcantes em praticamente todas as mídias de entretenimento, mas nas histórias em quadrinhos este período foi especialmente importante pela diversidade de estilos que surgiram. Desde a década anterior, as HQs americanas haviam sido dominadas pelo gênero de super-heróis. E isso se refletiu em outros cantos do globo também. No Brasil, as saudosas editoras Ebal e Bloch deixaram sua marca na história com Marvel e DC, enquanto a Abril dominava o mercado de quadrinhos com a Disney e a RGE investia pesadamente nos heróis clássicos, principalmente, da King Features. Na Europa, entretanto, uma publicação mudaria todo o mundo dos quadrinhos de forma radical...


Em dezembro de 1974, os franceses causaram uma verdadeira revolução com o lançamento da revista Métal Hurlant (que poderia ser traduzida grosseiramente como “Metal Gritante”). Para os leitores da época que haviam se deslumbrado com a arte requintada de autores americanos do calibre de Jack Kirby, Neal Adams, John Buscema, Gil Kane, Steve Ditko e tantos outros monstros sagrados das HQs que abrilhantaram incríveis aventuras dos super-heróis, a revista Métal Hurlant foi um divisor de águas! Criada por Bernard Farkas (que cuidava das finanças), o jornalista e escritor Jean-Pierre Dionnet, e os artistas Jean Giraud (que ficaria conhecido mais tarde apenas como Moebius) e Philippe Druillet, a publicação esbanjava bom gosto, talento e ousadia. Em breve, além de Moebius e Druillet, suas páginas trouxeram também Frank Margerin, Richard Corben, Alejandro Jodorowsky, Enki Bilal, Caza, Berni Wrightson, Milo Manara e muitas outras feras. Foi uma questão de tempo até que uma versão americana surgisse nas terras do Tio Sam... Assim, em abril de 1977, os leitores ianques foram apresentados à Heavy Metal, que, no início, nada mais era do que uma versão editada e traduzida da sua irmã francesa Métal Hurlant. Com o tempo, a Heavy Metal foi ganhando uma cara própria e apresentou histórias próprias, embora seu forte ainda continuasse sendo um portal de acesso aos artistas europeus...


A Marvel continuava firme e forte com seus super-heróis, mas como já dizia o ditado, “nunca guarde todos os ovos na mesma cesta”. Com títulos mais adultos e violentos como Marvel Super Special, Marvel Preview, Bizarre Adventures e, é claro, Savage Sword of Conan, a Marvel achou por bem disputar a mesma fatia de mercado da Heavy Metal. Assim, em 1979, começaram a pensar numa revista que, inicialmente, seria editada pelo respeitado editor Rick Marshall e colocada em prática dentro das páginas da já existente Marvel Super Special. Então, no segundo semestre daquele ano, quem tomou as rédeas do projeto foi Archie Goodwin, que já havia demonstrado mais do que criatividade e competência na Warren com as emblemáticas revistas Creepy e Eerie. Foi assim que, sob a batuta deste genial editor e escritor, surgiu a revista Epic Illustrated em março de 1980.

Com uma capa classuda assinada por nenhum outro além de Frank Frazetta, o primeiro número da Epic Illustrated apresentou uma política editorial quase “proibida” dentro da Marvel: as histórias eram publicadas dentro do esquema “creator-owned”, ou seja, seus direitos pertenciam aos autores, não à editora. Isso e a simpatia lendária de Archie Goodwin atraíram uma legião de jovens e veteranos quadrinistas ávidos para publicar seus projetos pessoais. E assim foi. Com papel de luxo e impressão de qualidade, cada número de Epic Illustrated era um deslumbramento visual e de conteúdo. Histórias com temáticas verdadeiramente adultas, artigos recheados de informação e entrevistas reveladoras com pessoas do meio de entretenimento, ensaios de artistas conceituados e muitas outras coisas transformaram a revista num título emblemático dos anos 1980. Verdadeiro celeiro de ideias e artistas, Epic Illustrated apresentou aos leitores obras-primas dos quadrinhos como: A Odisseia da Metamorfose, de Jim Starlin; Elric de Melniboné, a fantástica adaptação de parte da obra de Michael Moorcock feita por Roy Thomas e P. Craig Russell; Marada, a Mulher-Lobo, de Chris Claremont e John Bolton; Generation Zero, de Archie Goodwin e Pepe Moreno; The Last Galactus Story (jamais concluída!), de John Byrne e Terry Austin; Toadswart d'Amplestone, de Tim Conrad; The Sacred and the Profane. de Dean Motter e Ken Steacy; Abraxas and the Earthman, de Rick Veitch; Last of the Dragons, de Denny O’Neil, Carl Potts, Terry Austin e Marie Severin; e tantas outras assinadas por Wendy Pini, Jeffrey Jones, Michael Kaluta, Barry Windsor-Smith, Bernie Wrightson, Stephen R. Bissette, Jon J Muth, Arthur Suydam, Kent Williams etc. Suas capas eram verdadeiros portais mágicos assinados por nomes estelares como Richard Corben, Frank Frazetta, The Brothers Hildebrandt, Boris Vallejo e muitos outros.


Foi graças à revolução artística de Epic Illustrated dentro da Marvel que surgiu um selo de quadrinhos também no esquema creator owned em 1982: Epic Comics. A série inaugural deste novo selo foi Dreadstar, de Jim Starlin, que havia iniciado a saga cósmica nas páginas da própria Epic Illustrated. Depois, vieram Alien Legion (Legião Alien), de Carl Potts, Alan Zelenetz e Frank Cirocco; Starstruck, de Elaine Lee e Michael Wm. Kaluta; Six from Sirius, de Doug Moench e Paul Gulacy; Sisterhood of Steel (Irmandade do Aço), de Christy Marx e Mike Vosburg; Black Dragon, de Chris Claremont e John Bolton; The One, de Rick Veitch; Marshal Law, de Pat Mills e Kevin O’Neill; Groo, de Sérgio Aragones; Moonshadow, de J. M. DeMatteis, Jon J. Muth, Kent Williams e George Pratt; Elektra: Assassin, de Frank Miller e Bill Sienkiewicz; e mais um monte de coisas boas, muito boas!

Mesmo não tendo conseguido “roubar” o público já cativo e fiel da Heavy Metal, a série Epic Illustrated trouxe ao mundo muito do que existiu de melhor nas histórias em quadrinhos dos anos 1980. Sua última edição, publicada em fevereiro de 1986 encerrou uma era de fantasia e ficção científica como nunca se viu antes. Uma publicação sofisticada como aquela não conseguiu sobreviver ao ritmo desenfreado de produção enorme da Marvel. Seria necessária uma equipe muito maior e focada apenas narevista, buscando promoções, publicidade e colocando em prática outras estratégias de marketing além daquelas adotadas para as revistas de super-heróis. A Epic Illustrated era sofisticada demais para a Marvel...

De qualquer maneira, foram 34 belíssimas edições que mudaram a forma como eu enxergava os quadrinhos. Depois que lemos uma revista dessas, queremos mais e mais. Abaixo estão as capas maravilhosas desse título sem igual. E cada uma delas é um passaporte para mundos inigualáveis de aventuras sem fim!

- Leandro Luigi Del Manto






AS CAPAS INCRÍVEIS!




Epic Illustrated #1 (Março de 1980)
Capa de Frank Frazetta






Epic Illustrated #2 (Junho de 1980)
Capa de Richard Corben




Epic Illustrated #3 (Setembro de 1980)

Capa de Paul Gulacy




Epic Illustrated #4 (Dezembro de 1980)

Capa de Michael Kaluta





Epic Illustrated #5 (Abril de 1981)

Capa de Greg Hildebrandt e Tim Hildebrandt





Epic Illustrated #6 (Junho de 1981)

Capa de Neal Adams





Epic Illustrated #7 (Agosto de 1981)

Capa de Barry Windsor-Smith





Epic Illustrated #8 (Outubro de 1981)

Capa de Howard Chaykin





Epic Illustrated #9 (Dezembro de 1981)

Capa de Tim Conrad





Epic Illustrated #10 (Fevereiro de 1982)

Capa de John Bolton





Epic Illustrated #11 (Abril de 1982)

Capa de James Fox





Epic Illustrated #12 (Junho de 1982)

Capa de Frank Brunner





Epic Illustrated #13 (Agosto de 1982)

Capa de Michael Saenz





Epic Illustrated #14 (Outubro de 1982)

Capa de P. Craig Russell




Epic Illustrated #15 (Dezembro de 1982)

Capa de Boris Vallejo





Epic Illustrated #16 (Fevereiro de 1983)

Capa de Barry Windsor-Smith





Epic Illustrated #17 (Abril de 1983)

Capa de Tim Conrad





Epic Illustrated #18 (Junho de 1983)

Capa de John Bolton





Epic Illustrated #19 (Augusto de 1983)

Capa de Jim Steranko





Epic Illustrated #20 (Outubro de 1983)

Capa de Stephen Hickman





Epic Illustrated #21 (Dezembro de 1983)

Capa de George Bush





Epic Illustrated #22 (Fevereiro de 1984)

Capa de John Bolton





Epic Illustrated #23 (Abril de 1984)

Capa de John Bolton





Epic Illustrated #24 (Junho de 1984)

Capa de Pepe Moreno





Epic Illustrated #25 (Agosto de 1984)

Capa de Jeffrey Catherine Jones





Epic Illustrated #26 (Outubro de 1984)

Capa de Bill Sienkiewicz





Epic Illustrated #27 (Dezembro de 1984)

Capa de Clyde Caldwell





Epic Illustrated #28 (Fevereiro de 1985)

Capa de Michael Kaluta





Epic Illustrated #29 (Abril de 1985)

Capa de Stephen Hickman





Epic Illustrated #30 (Junho de 1985)

Capa de Bernie Wrightson





Epic Illustrated #31 (Agosto de 1985)

Capa de John Bolton





Epic Illustrated #32 (Outubro de 1985)

Capa de Jerry Bingham





Epic Illustrated #33 (Dezembro de 1985)

Capa de Phil Hale





Epic Illustrated #34 (Fevereiro de 1986)

Capa de Arthur Suydam



domingo, 17 de novembro de 2013

O PRISIONEIRO E SUA VERSÃO PERDIDA EM QUADRINHOS!



Tudo começa com uma música meio sinistra, mas com um ritmo típico dos anos 1960. Um homem dirige um carro moderno em alta velocidade e entra no estacionamento subterrâneo de um sofisticado prédio. Em seguida, ele caminha a passos largos e decididos por corredores mal-iluminados e, nitidamente transtornado, discute com um homem misterioso, sentado e confortavelmente protegido atrás de sua mesa. O homem alto e nervoso, esbraveja, golpeia a mesa e, finalmente, joga uma carta de demissão sobre a mesa. Batendo a porta atrás de si, ele parte e vai para a sua casa. Enquanto isso, a tal carta de demissão é levada por uma esteira automática e jogada na gaveta de um arquivo secreto. Arrumando as malas, o homem percebe quando seu quarto é invadido por um gás misterioso e, sem conseguir reagir, perde os sentidos. Homens vestidos em trajes funerários e usando cartolas o levam embora. Quando retoma sua consciência, o prisioneiro percebe que está em outro lugar. Então, cenas dele tentando desesperadamente fugir são mostradas com um estranho diálogo ao fundo:

Prisioneiro: Onde estou?
Número Dois: Na Vila.
Prisioneiro: O que você quer?
Número Dois: Informação.
Prisioneiro: De que lado você está?
Número Dois: Isso será dito... Nós queremos informação... informação... informação!
Prisioneiro: Você não a terá!
Número Dois: De uma jeito ou de outro, nós a teremos.
Prisioneiro: Quem é você?
Número Dois: O novo Número Dois.
Prisioneiro: Quem é o Número Um?
Número Dois: Você é o Número Seis.
Prisioneiro: Eu não sou um número; eu sou um homem livre!
Número Dois: (risada sonora ecoando)


E assim começava cada episódio da série britânica O Prisioneiro (The Prisoner), criada pelo ex-agente secreto George Markstein e por Patrick McGoohan, que atuou como o personagem-título. Na verdade, os dois criaram a série em 1966, enquanto trabalhavam juntos em outra série de espionagem chamada Danger Man (mais conhecida como Secret Agent, ou Agente Secreto, em outros países). Exibida no Reino Unido de setembro de 1967 a fevereiro de 1968, a série teve apenas 17 episódios, mas, por causa da complexidade de seus roteiros, não caiu no gosto do público. Afinal de contas, um outro agente secreto inglês conhecido como 007 havia conquistado a atenção do mundo inteiro com suas missões mirabolantes e explosivas...

Ainda assim, todo aquele conceito de um homem solitário lutando contra um sistema opressor e se recusando a ser apenas mais um número ficou marcado na memória de muita gente e atravessou décadas, provando que se tratava de uma série de TV muito à frente da época em que estreara. Suas reexibições ao redor do mundo conquistaram um público mais familiarizado com teorias de conspiração e o temor dos governos modernos e opressores. Com o passar dos anos, aqueles 17 enigmáticos episódios tornaram-se uma verdadeira obra-prima da cultura pop.


Eu me lembro muito vagamente de cenas de Agente Secreto e O Prisioneiro durante minha infância. Ambas foram exibidas pela TV Tupi. Engraçado como ficou gravada em minha memória a imagem de um homem correndo na praia e, depois, sendo engolido por uma assustadora e enorme bolha. Anos depois, já quase adulto, descobri que se tratava da série emblemática de Patrick McGoohan. Pesquisei muito e, aos poucos, consegui uma cópia de um episódio aqui, outra acolá... E assim foi, até que, finalmente, com a chegada das Tvs a cabo, pude assistir a todos os episódios no canal Multishow (quando ainda era possível assistir alguma coisa nele!). Enquanto trabalhei na Editora Globo, também tive a honra de editar a série em 4 partes O Prisioneiro, de Dean Motter e Mark Askwith. Não foi uma coisa de outro mundo, mas era o que havia disponível... Foi então que soube de uma outra adaptação em quadrinhos...



Na segunda metade dos anos 1970, a editora americana Marvel Comics comprou os direitos para produzir uma série de O Prisioneiro. A ideia inicial do projeto foi do escritor e então Editor-Chefe Marv Wolfman, um apaixonado confesso pela série de TV. Isso deve ter acontecido no final de 1975... A série deveria ser escrita por Steve Englehart e desenhada por Gil Kane! No entanto, com a volta de Jack Kirby à Marvel para produzir uma nova fase do Capitão América (que iria culminar no bicentenário da declaração da independência dos EUA), além de 2001: A Space Odissey, Black Panther etc, Stan Lee decidiu passar o projeto a ele. Uma história completa de 17 páginas foi escrita e desenhada por Kirby em fevereiro de 1976. No entanto, antes que a mesma fosse totalmente arte-finalizada e letrerada por Mike Royer, o projeto foi engavetado pelo próprio Lee.


A volta de Jack Kirby à editora que ele ajudou a consolidar como uma das mais criativas e rentáveis dos anos 1960 provou ser um ambiente cheio de disputas de egos e mágoas não-resolvidas. Muitos projetos encabeçados por ele foram sistematicamente “derrubados” e, aos olhos dos leitores, tudo indicava que “O Rei” havia perdido a velha mágica... Afinal de contas, ele havia deixado a DC Comics porque a maioria de seus projetos também tinham sido cancelados! Mas a história não é bem essa, como ficou provado depois... Infelizmente!


Durante anos, essa história “perdida” do Prisioneiro produzida por Jack Kirby povoou os sonhos de seus fãs ao redor do mundo. O conceito revolucionário da série de TV tinha muito a ver com o próprio quadrinhista: um homem teimoso e solitário lutando contra um sistema opressor que deseja apenas extrair seus segredos e “dobrá-lo”, mas ele permanecia forte e determinado em sua luta.

Cheguei a ver algumas poucas páginas da história em publicações especializadas, mas eu precisava ler a história toda! E isso tornou-se quase um Santo Graal pra mim!


Depois de tanto tempo, todas as míticas 17 páginas foram reunidas em 2013 para serem negociadas nesses leilões especializados em venda de artes originais de quadrinhos... Sabendo da minha paixão por Jack Kirby e pelo Prisioneiro, meu amigo Flavio Pessanha me mandou um link que disponibilizava as páginas digitalizadas numa resolução bastante razoável. Não perdi tempo e salvei todas o mais rápido possível. Meu desejo sempre foi poder ler essa lendária HQ e, quem sabe, poder traduzi-la e adaptá-la para outros fãs como eu. Pois bem... A minha versão em Português está aqui. Finalmente, pude realizar aquele meu velho sonho, que divido agora com você!

Se ainda não conhece a série de TV dos anos 1960, faça um esforço e corra atrás. Ainda hoje ela continua cheia de enigmas e é muito melhor do que muita coisa sendo feita ultimamente (há um remake de 2009, mas ficou devendo muito à obra original).

As páginas iniciais de um projeto que poderia ter sido um grande sucesso dos quadrinhos estão disponibilizadas abaixo. Primeiro, na versão em Português. Depois, na versão original em Inglês. Procurei manter as páginas próximas aos arquivos originais, mantendo as “sujeiras”, marcações e anotações originais. Espero que você aprecie!

E não esqueça: você não é um número!

Boa leitura!

– Leandro Luigi Del Manto

Atenção: As páginas e fotos disponíveis aqui pertencem aos seus respectivos detentores dos direitos autorais e minha intenção foi apenas divulgar uma parte da história dos quadrinhos.
































Acima, a versão desenhada por Gil Kane.

Abaixo, a versão original em Inglês produzida por Jack Kirby!